Texto narrativo 2 – Análise

Sábios como camelos

de José Eduardo Agualusa

Capítulo 1Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir – nome dado naquela época aos chefes dos governos – que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética. o primeiro camelo chamava- se aba, o segumdo baal, e assim por diante, até ao último, que atemdia pelo nome de zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?
Capítulo 2  Os camelos, porém, não tinham morrido. presos uns aos outros por cordas, e comduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tenpestade de areia até uma região remota do deserto. Durante muito tempo caminharam sem rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos.
Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros transportados por Aba, ou seja, todos os títulos começados pela letra A. No dia seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois, quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir.
Capítulo 3Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicou-lhe, chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:
– Eras tu o responsável pelos livros – disse -, assim por cada livro destruído passarás um dia na prisão.
O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria de velhice na cadeia.
Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam para o levar preso, quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu licença para falar:
– Não faças isso, meu senhor – disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir – esse homem salvou-nos a vida.
O grão-vizir olhou para ele espantado:
– Meu Deus! O camelo fala!?
Capítulo 4- Falo sim, meu senhor – Confirmou Aba, divertido, com o incrédulo silêncio dos homens.
– Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.
Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro. Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada camelo conhecia de memória quatrocentos títulos.
– Liberta esse homem – disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós viremos até ao vosso palácio para contar histórias.
O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:
– Aquele homem é sábio como um camelo.
Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os camelos ainda conversam entre si.
Pode ser!

Sobre o texto:

a) Quais são os personagens principais?

b) Onde se passa a história?

c) Em que tempo se passam os acontecimentos?

d)  Retire do texto as palavras que estão destacadas e diga o seu significado.

e) Quais são as principais ações do personagem principal? Caracterize-o.

f) A expressão “sempre que” (na segunda linda do primeiro parágrafo) poderia ser substituída por qual das conjunções a seguir?

I- Mas                          II- e                      III – nem                               IV- quando                     V – ou

g) Que tipo de chefe de governo você conhece?

h) Faça um resumo de cada parágrafo separadamente.

i) Um conto geralmente possui: conflito (problema)  e desfecho (final, resolução). Mostre em que parágrafo está cada um deles.

j) Dê um título diferente, mas de acordo com a história, para o texto.

l) Reescreva as frases do texto corrigindo os problemas de grafia.

I – “presos uns aos outros por cordas, e comduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tenpestade de areia até uma região remota do deserto”.

II – “o primeiro camelo chamava- se aba, o segumdo baal, e assim por diante, até ao último, que atemdia pelo nome de zuzá”.

Sobre Gonçalves
Professora de Ensino médio do governo do estado do Espírito Santo.

4 Responses to Texto narrativo 2 – Análise

  1. eu gostei muito deste texto d++++ muito bacana ele

  2. yan,jheniffer,rosilene disse:

    nao gostei deste txto

  3. muito legal

  4. Monyze - Lorrayne disse:

    a)Grão-vizir,Aba,Baal e Pastor

    b)No deserto

    c)Há muitos anos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: